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Lost – The End

maio 26th, 2010 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (33 Comments)


Imagine que você está numa ilha deserta. Não tem fome, mas comeria, nem sede, mas tomaria um suquinho. A brisa acaricia seu rosto e o barulho das ondas aquece seus ouvidos. Em sua mão, está uma garrafa de vinho, como a de Jacob. Você a gira, gira, gira, vira de cabeça pra baixo e, graças à uma rolha, o precioso líquido não sai.

Agora, imagine que o vinho é algo menos vil que o mal encarnado. Trata-se apenas dos lugares comuns, do marasmo criativo, dos pontos de virada, dos casamentos em final de novela, Syd Field. E a rolha é a ilha de Lost – que durante seis anos, impediu que esses males tocassem nossas vidas.

Aí vem um desgramadumafiga e me quebra a garrafa.

Quase tudo já foi dito sobre o final de Lost. Não vou ficar aqui contando quantas horas da minha vida gastei assistindo às seis temporadas (85), exigindo respostas que eu já sabia que nunca viriam, nem discutindo os méritos dos criadores. Vou me limitar a dar a minha opinião, que reflete as dicotomias da série.

Amei o final de Lost. Foi bonito e tocante. Encerrou de maneira digna a jornada de seus personagens, nos deu algum conforto e uma boa dose de reflexão. Em termos narrativos, foi perfeito, satisfez a todos que acreditam no velho papinho de que “é sobre os personagens”, satisfez a quem, como eu, já tinha desencanado dos mistérios, satisfez a dona-de-casa que há em cada um de nós.

Porém, como num flash-sideway, odiei o final de Lost. Com a garrafa quebrada, não teve rolha que segurasse a enxurrada de clichês que atingiu o mundo. Teve beijo, teve “eu te amo”, “eu também”, teve luta (na chuva!) do mocinho contra o bandido, teve reencontro com o pai, não teve casamento, mas teve igreja.

E teve o diabo do purgatório, a verdadeira natureza dos flash-sideways (se você é daqueles que acham que todos morreram no primeiro episódio, por favor, assista de novo). O problema pra mim não foi a saída criativa em si, mas o fato de que qualquer outra série poderia ter terminado com os personagens se dando conta de que estão mortos.

E Lost nunca foi uma série qualquer. Lost transformou palavras como “constante”, “números”, “escotilhas” e “candidatos” em histórias. Bastava um 23 ou um nome riscado aparecerem na tela, para que teorias incendiassem as redes sociais – fenômeno aliás, indissociável da série.

Durante seis anos, Lost ousou em temas como fé, ciência, religião, amor, viagens no tempo, vida após a morte. Palavras que parecem se acotovelar quando colocadas numa mesma frase, usadas para contar uma história. Que pode não ter tido nem pé nem cabeça, mas que nos fez pensar, chorar e, acima de tudo, nos divertir.

Por isso, encerro a jornada grato e satisfeito. Lost terminou sem um final à altura. Mas como disse o próprio Jacob (o maior perdido de todos, cá entre nós), qualquer coisa que acontece antes, é apenas progresso.

Lost e a salvação da TV

fevereiro 3rd, 2010 | Posted by Fábio Yabu in Crônicas | Resenhas - (14 Comments)

TEXTO SEM SPOILERS SOBRE A SEXTA TEMPORADA DE LOST -
Aguarde um review completo para essa semana

Nunca antes na história desse país uma temporada foi tão aguardada! A contagem regressiva começou ainda na terceira temporada, quando os produtores anunciaram que Lost chegaria ao fim em 2010. Agora, depois de ver os dois primeiros episódios dessa jornada final, e refletir sobre o caminho já trilhado, deixo aqui algumas impressões.

A nova temporada começou com a mesma dinâmica das anteriores – acontecimentos passados, que pareciam pivotais, agora são tão importantes quanto a bombinha de asma da Shannon. Trata-se de uma temporada completamente diferente, com sua pergunta central e as consequências que ela traz aos personagens. Sim, algumas respostas são dadas – mas não espere nenhuma revelação a là Sexto Sentido. Mistérios que pareciam milenares são respondidos de maneira quase trivial – como um guarda de trânsito fazendo transeuntes curiosos desviar de um acidente, circulando, circulando!

Mas quem se importa? As perguntas de Lost sempre foram mais importantes do que as respostas, então qual a diferença se elas são verdadeiras ou falsas, se é que elas existem? Em seu emocionate depoimento ao TED, o criador JJ Abrams conta um pouco como funciona sua mente, e o quanto o mistério de uma caixa deixada pelo seu avô é mais importante do que o conteúdo em si. É provável que até essa história seja inventada – um homem não tem o direito de escrever a sua própria? – mas a metáfora não deixa de ser inspiradora.

Um dos aspectos mais importantes sobre Lost, que deveria ser analisado por toda a indústria, é como o fenômeno mudou a cara do entretenimento em apenas seis anos. Como num legítimo embate ciência vs. fé, de um lado tivemos os canais se reinventando, à beira do desespero, vendo toda uma geração deixar de lado a TV e aderir aos sites de compartilhamento, torrents e megauploads da vida. Do outro, temos essa mesma geração, acusada de pirataria, ameaçada de multas e prisão a cada DVD ou Blu-Ray assistido, sedenta por conteúdo de qualidade, por TV inteligente. No meio dessa guerra, a natureza humana nos faz procurar um Messias, como o Avatar, de James Cameron, e sua promessa de “salvar” o cinema. Mas que cinema, que TV são esses que precisam tanto ser salvos do desinteresse de seu séquito?

Nos últimos seis anos, assisti a Lost das mais diversas formas, talvez algumas até extintas agora. Na TV a cabo, TV aberta, via CDs gravados por amigos e distribuídos “na firma”, pendrives, aluguei, comprei, baixei, joguei o jogo (horroroso), vi no avião (deu medo), assisti no exterior, baixei no exterior, fiz o diabo. Nas últimas semanas revi as temporadas em blu-ray, experiência que supera de longe todas as anteriores. A TV? Vai muito bem, obrigado. Pago via débito automático uma cacetada de canais que chegam por um conversor que foi desconectado da tomada por falta de espaço: tem que concorrer com a própria TV, o subwoofer, o DVD, o Wii, PS3, o modem, o roteador e um abajur. E AINDA ASSIM, vi religiosamente todos os episódios, muitos deles repetidas vezes. Agora, me responda: quem é que precisa ser salvo?

Lost – Season 5 Finale

maio 15th, 2009 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (19 Comments)

lost

Eita coisa maluca que foi o season finale de Lost! Como sempre, os danadinhos explicaram várias coisas mas deixaram muitas outras em aberto. Ainda estou recuperando o fôlego depois dos catastróficos minutos finais, mas vamos lá! A partir daqui, tem spoiler!

(mais…)

Lost: o maior dos mistérios

abril 16th, 2009 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (16 Comments)

Pois é, nunca elogie uma série. Foi só rasgar a seda pra Lost que parece que a coisa desandou. Os três últimos episódios foram bem fracos e tiveram aquele cheirinho de enrolação que nenhum fã gosta. A partir daqui, believers e não-believers, tem spoilers.

Começou com o episódio da Kate, que, coitada, não dá sorte mesmo. Teve aquele flashback meio sem propósito mostrando que ela ficou toda miguxa da ex do Sawyer. Contou pra ela tudo o que aconteceu: “Miguxa, você não sabe! Tava eu lá na Austrália, vendo Princesas do Mar, fui presa e o avião me cai numa ilha perdida no espaço-tempo, com um monstro de fumaça, uns malucos que mataram os malucos que trabalhavam lá antes deles, daí vieram outros malucos tentando nos matar, a ilha sumiu, e agora eu tô aqui, podre de rica usando Dolce e Gabbana! Rá!” E a ex do Sawyer ouviu tudo numa boa, sem nem se abalar, como se estivesse ouvindo as notícias do dia.

Aí eles me revelam que, depois de ficar três anos mentindo literalmente pro mundo inteiro, a Kate vacila e o Aaron sai andando no supermercado com uma loira qualquer. Pronto, ela pira, resolve contar a verdade pra mãe da Claire e voltar pra ilha! Quando ela, Jack e Hurley me chegam lá, ouvem a notícia de que voltaram 30 anos no passado na maior tranquilidade. Reconheço que a princípio achei a idéia excelente, mas os paradoxos criados a partir daí deixaram tudo muito esquisito.

Eu sempre me perguntei o quanto os roteiristas/produtores sabiam de toda a história. Depois desses episódios, ficou bem claro que eles não sabem tanta coisa assim. O lance do Ben convenientemente perder a memória ao ser curado pelo Richard é um indício. Depois de adulto, o mesmo jovem Ben que havia ajudado a MATAR TODA A INICIATIVA DHARMA, incluindo o próprio PAI, ficou com pena de matar a Rousseau porque ela tinha um bebê. Eles não viram esse episódio?????

Foi revelado mais sobre o monstro de fumaça. Além de fazer aquela algazarra toda, ele lê mentes e se transforma em pessoas, como o irmão de Mr. Eko e, provavelmente, Waaaalt e o pai do Jack. Mas, se o bicho é a vontade da ilha, e queria que os Oceanic Six voltassem, por que ele deixou que eles saíssem?? Fora que o Aaron ficou de fora e parece que ninguém ligou muito – nem o tal do monstro. Então pra quê, Jesus amado, PRA QUÊ aquele trampo todo?

Enfim. Com a queda do segundo avião, outro mistério surgiu: o que tem na sombra da estátua? Não entendeu? Nem eu, mas parece que os outros passageiros do avião também não estavam lá por acaso. Uma coisa é certa: eles não trabalham para Charles Widmore, antigo líder dos The Others, cuja rixa com Ben foi finalmente explicada. Será que trabalham pro Ben? Ou será que fazem parte de um terceiro (!?!) grupo?

Depois teve a história do Miles. Como se suspeitava desde o final da quarta temporada, ele e Charlotte nasceram na ilha. O japinha é filho do Dr. Cheung, vulgo Marvin Candle, personagem importante na mitologia da série.  Mas então, por que diabos ela morreu com as viagens temporais e ele não? E a maior de todas as dúvidas: por que tanta gente diz que ele é a minha cara??? Até já me pararam na rua pra falar isso! Eu, hein?

miles
Viu, só? NADA A VER! NADA… eu acho.

Bom, quem lê o blog há algum tempo sabe que eu sou meio volátil. Uma hora amo, outra hora odeio Lost. Eu confesso que, prestes a assistir ao CENTÉSIMO episódio, meu coração tá dando uma balançada… a sensação que tenho depois dos três últimos é que tem muita história legal, muitos personagens interessantes, mas trama demais e tempo de menos, o que deixa as tradicionais enroladas ainda mais insuportáveis. Em três semanas, saberemos se a quinta temporada valeu a pena, ou não! Depois, meu amigo, só ano que vem! Argh!!

Lost – Você é um believer?

abril 3rd, 2009 | Posted by Fábio Yabu in Resenhas - (16 Comments)

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Harry Potter?

Enfim, cá estou eu para trocar dois dedos de prosa sobre a quinta temporada de Lost, que começou mega-boga, mas agora, no décimo primeiro episódio, começa a dividir opiniões. É óbvio que se você é um daqueles malucos que não está assistindo a quinta temporada, ou que não acredita em viagens no tempo, é melhor nem continuar porque agora o spoiler come solto.

Primeiro, cabe aqui um pedido de desculpas por não ter comentado a quarta temporada – pra mim, a melhor até agora. Mas quem acompanhou um pouco do blog ano passado sabe que meu tempo foi muito escasso. Tentarei, na medida do possível, voltar a comentar sobre nossas séries favoritas e as amenidades do dia a dia ao longo desse ano.

Enfim, vamos lá: como você bem deve lembrar, a quarta temporada foi praticamente um grande flashback, que explicou os momentos que antecederam o final da terceira, quando Jack barburu diz a Kate que eles precisam voltar à ilha. Tivemos a introdução de quatro personagens marcantes: a gatinha Charlotte, o gente boa Lapidus, o maluquinho  Faraday (pra mim, o melhor de todos) e o caça-fantasmas Miles, que andam dizendo por aí que é a minha cara. Eu prefiro não comentar esse assunto.

young_rousseau No final da temporada, a ilha se pirulitou e os Oceanic Six voltaram para casa. O mistério que achávamos que ia levar a temporada inteira para ser revelado já foi explicado logo no início: Ben moveu a ilha no tempo, como, aliás, eu havia cogitado no Nerdcast sobre Lost, e o Azaghâl achou que eu estava maluco. Toma! A partir desse momento, a série que você conhecia simplesmente deixou de existir, e o suspense e o mistério deram de vez lugar à ficção científica. É só pegar algum episódio da primeira ou segunda temporada e comparar. Tivemos respostas, MUITAS respostas, algumas convincentes, outras nem tanto.

O lance dos sobreviventes da ilha viajarem no tempo a torto e a direito explodiu a cabeça de muita gente – e eu não tô falando da Charlotte. Foi uma maneira muito inteligente de mostrar o passado da ilha e a história da Dharma Initiative sem recorrer aos desgastados flashbacks. Pudemos ver o passado de Marvin Candle e finalmente conhecemos parte da história da Rousseau, que aliás, era uma gatinha!

Fica só uma pergunta: onde diabos estão os outros sobreviventes, como Bernard e Rose? Tinha mais gente, não tinha? Estão dando um rolê nos anos 70? Foram comidos pelo monstro de fumaça? Ou simplesmente esquecidos pelos roteiristas?

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Antes…

rousseau
… e depois. DEZESSEIS ANOS sem lavar o cabelo ou depilar o sovaco.

No meio de tantas respostas, surgem sempre novas dúvidas e aquele enorme vácuo onde cada um resolve colocar sua própria explicação. E acho que é aqui que a temporada se enrolou um pouco e andou desapontando algumas pessoas. Vamos a alguns fatos:

  • Charles Widmore lembrava que Locke o havia visitado nos anos 50. O que explica perfeitamente o porquê dele ter enviado Abaddon ao hospital onde Locke estava quando ficou paraplégico. Widmore sabia que, dali a alguns anos, Locke viajaria no tempo e encontraria com seu eu passado. Então, já ficou de olho no cara e arranjou tudo para que ele fosse parar na ilha. Ponto pros roteiristas, que amarraram tudo tintim por tintim.
  • Acontece que Locke não foi o único a viajar no tempo. O mega-boga Daniel Faraday também viajou, e encontrou com o Desmond do passado. Se apresentou e tudo mais – coisa que Desmond só se lembrou três anos depois de sair da ilha, durante um sonho. Segundo Faraday, Desmond se lembraria porque ele é “diferente”.
  • Outra que parece ser desmemoriada é Rousseau, que encontrou com Jin em dois momentos de sua juventude. E ela não pareceu reconhecê-lo durante as primeiras temporadas.
  • O caso mais dramático é o do jovem Ben “Harry Potter” Linus, que levou um tiro de Sayid. Como ele não se lembraria disso no futuro? Segundo Richard, é porque os hostis o tornariam um deles e ele perderia a memória. How convenient!

Porém, eu tenho uma teoria (e é melhor me levar a sério agora, Azaghâl!), que explicaria esses esquecimentos tão convenientes. Pra entendê-la, você vai ter que abrir a sua mente.

O tempo em espiral

Bom, geralmente as pessoas acham que o tempo é uma linha reta que está sendo desenhada nesse exato momento. Estudando um pouquinho de Teoria da Relatividade você descobre que não é bem assim. Imaginar o tempo como uma linha reta é tão arcaico quanto imaginar que a Terra é plana. Na verdade, o tempo é como se fossem várias camadas sobrepostas, onde passado, presente e futuro são simples ilustrações que visam proteger nossa percepção limitada da total insanidade.

Se você imaginar o tempo como uma linha reta, realmente não consegue explicar as falhas de memória (ou de roteiro) dos personagens. Porém, se imaginá-lo como camadas ou, pra simplificar, como uma espiral, a coisa pode fazer algum sentido:

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Aqui está a vida de Desmond, pré-viagem no tempo de Faraday, onde os fatos parecem ocorrer linearmente para ele – mas para nós, é uma espiral onde começo, meio e fim já estão definidos.

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No momento em que Faraday volta no tempo, um novo elemento surge na espiral, cujas consequências só serão sentidas num ponto específico do futuro. É por isso que Desmond “não se lembrava” de Faraday. Pra todos os efeitos, tal fato NÃO HAVIA ocorrido até o momento em que Faraday viajou no tempo. Isso explica também as outras amnésias. Se minha teoria estiver correta, Ben só se lembrará que levou um tiro de Saiyd quando isso realmente ocorrer; em seu tempo, nos anos 2000, e no de Sayid, nos anos 70.

Porém, isso não explica o porquê de Widmore lembrar de Locke, nem as frequentes aparições de Richard Alpert em diversos momentos da ilha. Na verdade, cria um paradoxo, o que tem deixado muita gente confusa.

E agora?

Pra quem não lembra, a temporada atual terá apenas 16 episódios. Estamos na reta final, com apenas 3 episódios até o season finale (que geralmente é duplo). Falta muita coisa pra acontecer ainda, e muitos personagens importantes ainda não mostraram a que vieram. Faraday, Desmond, Miles e até mesmo Locke tiveram participações pequenas. Muitas outras dúvidas pairam no ar, envolvendo Sun e o pai de Jack, e o real motivo pelo qual os Oceanic 6 deveriam voltar à ilha. Além dos sobreviventes desaparecidos, agora temos toda uma galera que acabou de chegar no avião. Aaaaaaaahhh!

Apesar de tantas dúvidas e paradoxos, acho que essa está sendo uma temporada excelente. Os roteiristas pisaram no acelerador e deram uma grande guinada na série. Pra quem adora histórias de viagem no tempo como eu, está sendo um prato cheio. Mas reconheço que o tema pode não agradar muita gente. Então eu pergunto, caro leitor(a) do YabloG!: você é um(a) believer???

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