YabloG! - Tag Archive - Mauricio de Sousa

Apolinário é um senhor de respeito
Cujo pretérito tem algo imperfeito
Em busca de seu verdadeiro “eu”
Encontrará a palavra que nunca aprendeu

Todos têm uma palavra perdida
Algo faltando no seu livro da vida
Seu coração ficará mais sereno
Com o livro de Fábio Yabu & Daniel Bueno

Finalmente, chegou às minhas mãos meu mais novo livro, “Apolinário, o Homem-Dicionário” (Panda Books), do qual já havia comentado algumas vezes aqui. É meu décimo-segundo livro, e um trabalho muito especial por vários motivos. Primeiro, porque é uma história que tem muito de mim, das coisas em que acredito e na minha filosofia. Segundo, porque o livro ganhou vida nas mãos do genial Daniel Bueno, um dos melhores ilustradores do país e vencedor do Prêmio Jabuti. Bueno conseguiu materializar de forma brilhante conceitos subjetivos do texto, usando letras e livros para representar os personagens e suas emoções. Foi dele, aliás, a ideia de fazer os personagens com corpo de livro. Por último, não menos especial é o prefácio de Mauricio de Sousa, de quem sou fã desde que me entendo por gente.

Apolinário, o Homem-Dicionário conta a história de um garoto que, depois de descobrir um dicionário mágico, aprende todas as palavras da língua portuguesa, exceto uma. O livro, repleto de referências – de Camões a Drummond –  mostra a jornada de Apolinário em busca de sua “palavra perdida”, e termina com uma bela surpresa no final.

De "Combo Rangers" a "Apolinário"... quanta diferença!

Como tem virado hábito, o livro é bem diferente dos meus outros trabalhos, mesmo de “Raimundo, Cidadão do Mundo“. Conforme os anos vão passando, fico cada vez mais certo de que não quero ficar preso a um único estilo em minha carreira. Nada contra quem faz isso, mas mudar completamente de ares é tão revigorante, me dá tanto gás para criar coisas novas que começo a achar que para mim isso não é uma simples opção, mas uma questão de sobrevivência.

A jornalista Fernanda Correia escreveu uma resenha emocionante no site da Livraria da Folha, vale a pena conferir.

Adquira já o seu exemplar no site da Panda Books, ou em sua livraria favorita! Em breve, anunciarei aqui e no Twitter os detalhes da tarde de autógrafos!

Resenha MSP 50

setembro 21st, 2009 | Posted by Fábio Yabu in Criações - (11 Comments)

MSP50Mauricio de Sousa é um raro caso de brasileiro que não precisou cruzar o oceano para ser reconhecido entre os seus. No país onde todo mundo é juiz de futebol, todo mundo também é crítico de literatura, cinema, música, quadrinhos… O que vem daqui de dentro, nunca parece ser bom. “Princesas do Mar é brasileiro?” é uma pergunta que ouço semanalmente. “Nossa, parece americano!”, completam, perplexos, os incautos.

Será só uma exigência exagerada, ou será que acreditamos mais no crivo dos americanos e europeus para sabermos o que é bom e o que não é? Seja qual for a resposta, centenas – sim, a conta é essa – de talentos brasileiros estão espalhados pelos melhores estúdios e cursos de graduação mundo afora. De produtoras desconhecidas na Islândia, passando por Disney, Marvel, Ghibli, Pixar, estamos produzindo filmes, animações, games e quadrinhos “para gringo ver”. E, quem sabe, um dia brasileiro também possa.

Oportunamente, em seu cinquentenário de carreira, Mauricio de Sousa reuniu 50 dos desenhistas brasileiros mais reconhecidos da atualidade para lhe prestar uma homenagem. Sob a batuta de Sidney Gusman, que compilou o material, eu e os outros 49 aceitamos o desafio de peito aberto. Como de praxe, muitos deles são “filhos pródigos”, com suas carreiras estabelecidas no exterior, enquanto caminham anonimamente entre nós. Ivan Reis, Renato Guedes, Julia Bax, Erica Awano e tantos outros. O resultado, MSP 50 – Mauricio de Sousa por 50 Artistas, é pra deixar o patlão cheio de orgulho – e a gente também.

Porque, como diria nosso presidente, “Nunca na história desse país se fez um álbum assim!“. A partir da genial abertura de Laerte, tem absolutamente de tudo: charges, tiras, ficção científica, non-sense, de Angeli a Ziraldo, passando por Fernando Gonsales e o estreante Vitor Cafaggi, que também é a grande surpresa da coletânea.

É exagero dizer que todas as histórias são boas. Estatisticamente, não tinha como todos os 50 acertarem a mão, mas como co-autor, não cabe a mim julgar meus colegas. Que cada um leia e tire suas próprias conclusões. Apenas uma história me deixou realmente desapontado, talvez devido à expectativa que já acompanha seu criador – que parece não ter entendido quem era o homenageado em questão.

Mas falemos do lado brilhante – e isso não falta. São tantos estilos diferentes que é impossível dizer qual é a melhor, apenas arriscar que ela está entre essas:

As aparências enganam – Fernando Gonsales: não tinha como ser diferente. O criador de Niquel Náusea mistura seu inconfundível senso de humor com o traço indomável dos Estúdios Mauricio de Sousa. O resultado é um “falso Bidu”, que encontra com outros desenhos da Turma, tortinhos, mal-feitos, e, por isso mesmo, autênticos.

Nada como um dia após o outro -  Vinícius Mitchell: vários autores escolheram o Astronauta – um dos poucos adultos proeminentes da obra de Mauricio. Talvez por isso ele não transite tão bem entre as crianças (eu mesmo sempre pulava as histórias dele). Dentre todas as releituras filosóficas e verborrágicas do personagem, a de Mitchell se destaca por unir os mundos adulto e infantil, num conto sobre maturidade e a passagem do tempo.

Sem título – Erica Awano – na boa? Eu sempre achei a mãe do Chico Bento uma bi-a-tch! Chiliquenta, histérica e até meio cruel. Erica Awano trouxe uma visão mais doce da personagem e sua relação com o filho. E surpreende por sua sensibilidade como roteirista, faceta desconhecida até então.

Cadê o Capitão Feio? – Orlandeli - uma visão bem humorada do supervilão da Turma. Ao revelar o destino do vilão, Orlandeli mostra o Capitão Feio em cada um de nós.

Minha visão preferida – Vitor Cafaggi - enquanto Mauricio de Sousa está completando 50 anos de carreira, Vitor Cafaggi está completando um – e é a grande revelação do álbum, numa história delicada e magistralmente ilustrada sobre o Chico Bento. A HQ já sinaliza o brilhante caminho que o criador de Puny Parker tem pela frente. Fiquem de olho nesse menino!

Quanto à minha história, “O que aconteceu com a menina mais forte do mundo?“, só posso dizer que foi escrita durante toda uma apaixonada noite – mas já estava pronta há tempos. Nela, eu trago uma visão particular sobre o futuro sombrio da Turma, com Franjinha se transformando no poderoso vilão Jinn Farah. Ele e seu arqui-inimigo, o Dono da Lua, como vilões que são, aguardavam apenas a oportunidade perfeita para fazer sua estréia. Eu jamais poderia imaginar que seria numa ocasião tão especial. Fica aqui também meu agradecimento ao Michel Borges, que me emprestou seu talento ao finalizar as páginas.

É isso! Procure nas bancas a edição cartonada (R$ 55,00) ou nas livrarias a de capa dura (R$ 98,00), a que for mais conveniente para o seu bolso. São quase 200 páginas, das quais todos os brasileiros, desenhistas ou não, têm muito do que se orgulhar.

Tem sido bem difícil manter esse blog atualizado, com tanta coisa rolando na minha vida. Coisas bem legais, coisas chatas, que vou lembrar pra sempre e que quero logo esquecer. Mas enfim, ninguém nunca me falou que a peleja seria fácil.

Estou bem feliz com a repercussão que a minha história para os 50 anos de carreira do Mauricio de Sousa está tendo. Saíram várias notas bacanas na imprensa, e olha que ninguém leu ainda. Apenas minha Gica, a brodagem e o pessoal da Mauricio de Sousa Produções, e todo mundo tem elogiado bastante.

Bom, a história se passa no ano de 2059, em que celebraremos o centenário da carreira do Mauricio. Como eu não sei se vou estar por aqui, nem se vou ser chamado de novo pra coletânea comemorativa, resolvi me adiantar e já situar a história nessa época. Assim, espertinho que sou, participo de duas épocas em uma só! HÁ!

A história fala de uma Terra transformada, e como isso afetou profundamente os personagens da Turma. Franjinha agora é o mega-empresário Jinn Farah, e rival do homem que na infância foi conhecido como Cebolinha. Os dois são responsáveis por uma guerra sem proporções, que pode por fim ao pouco que sobrou da civilização.

Também dão as caras Magali, Anjinho, Cascão e, é claro, a Mônica. Mas nenhum deles é o que as pessoas vão esperar, especialmente a Dona da Rua. Além de homenagear a obra do Mauricio, a história também faz referência ao clássico de Alan Moore, “Whatever Happened to the Man of Tomorrow” (O que aconteceu ao Homem do Amanhã, ou Superman – O fim, como foi publicada aqui), que conta os últimos dias do Super-Homem, e ao recente “Whatever happened to the Caped Cruzader“, de Neil Gaiman, que conta o fim do Batman. Não por acaso, ela se chama “O que aconteceu com a menina mais forte do mundo?”, mas fiquem tranquilos, não se trata do fim muito menos da morte de ninguém. É uma história da Turma da Mônica, a história que eu sempre quis escrever e agora vou ter a honra de publicar, ao lado de craques como Ziraldo, Fernando Gonzales, Laerte e Ivan Reis, o desenhista mega-boga do Lanterna Verde. “É como tocar com os Beatles!“, como já dizia Kyle Rayner.

E chega senão daqui a pouco conto a história toda! Fique agora com algumas imagens-teaser:

cebola

farah

jonni

O MSP 50 chega às livrarias em setembro pela Panini, por um preço ainda não definido.

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