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Resenha MSP 50

setembro 21st, 2009 | Posted by Fábio Yabu in Criações - (11 Comments)

MSP50Mauricio de Sousa é um raro caso de brasileiro que não precisou cruzar o oceano para ser reconhecido entre os seus. No país onde todo mundo é juiz de futebol, todo mundo também é crítico de literatura, cinema, música, quadrinhos… O que vem daqui de dentro, nunca parece ser bom. “Princesas do Mar é brasileiro?” é uma pergunta que ouço semanalmente. “Nossa, parece americano!”, completam, perplexos, os incautos.

Será só uma exigência exagerada, ou será que acreditamos mais no crivo dos americanos e europeus para sabermos o que é bom e o que não é? Seja qual for a resposta, centenas – sim, a conta é essa – de talentos brasileiros estão espalhados pelos melhores estúdios e cursos de graduação mundo afora. De produtoras desconhecidas na Islândia, passando por Disney, Marvel, Ghibli, Pixar, estamos produzindo filmes, animações, games e quadrinhos “para gringo ver”. E, quem sabe, um dia brasileiro também possa.

Oportunamente, em seu cinquentenário de carreira, Mauricio de Sousa reuniu 50 dos desenhistas brasileiros mais reconhecidos da atualidade para lhe prestar uma homenagem. Sob a batuta de Sidney Gusman, que compilou o material, eu e os outros 49 aceitamos o desafio de peito aberto. Como de praxe, muitos deles são “filhos pródigos”, com suas carreiras estabelecidas no exterior, enquanto caminham anonimamente entre nós. Ivan Reis, Renato Guedes, Julia Bax, Erica Awano e tantos outros. O resultado, MSP 50 – Mauricio de Sousa por 50 Artistas, é pra deixar o patlão cheio de orgulho – e a gente também.

Porque, como diria nosso presidente, “Nunca na história desse país se fez um álbum assim!“. A partir da genial abertura de Laerte, tem absolutamente de tudo: charges, tiras, ficção científica, non-sense, de Angeli a Ziraldo, passando por Fernando Gonsales e o estreante Vitor Cafaggi, que também é a grande surpresa da coletânea.

É exagero dizer que todas as histórias são boas. Estatisticamente, não tinha como todos os 50 acertarem a mão, mas como co-autor, não cabe a mim julgar meus colegas. Que cada um leia e tire suas próprias conclusões. Apenas uma história me deixou realmente desapontado, talvez devido à expectativa que já acompanha seu criador – que parece não ter entendido quem era o homenageado em questão.

Mas falemos do lado brilhante – e isso não falta. São tantos estilos diferentes que é impossível dizer qual é a melhor, apenas arriscar que ela está entre essas:

As aparências enganam – Fernando Gonsales: não tinha como ser diferente. O criador de Niquel Náusea mistura seu inconfundível senso de humor com o traço indomável dos Estúdios Mauricio de Sousa. O resultado é um “falso Bidu”, que encontra com outros desenhos da Turma, tortinhos, mal-feitos, e, por isso mesmo, autênticos.

Nada como um dia após o outro -  Vinícius Mitchell: vários autores escolheram o Astronauta – um dos poucos adultos proeminentes da obra de Mauricio. Talvez por isso ele não transite tão bem entre as crianças (eu mesmo sempre pulava as histórias dele). Dentre todas as releituras filosóficas e verborrágicas do personagem, a de Mitchell se destaca por unir os mundos adulto e infantil, num conto sobre maturidade e a passagem do tempo.

Sem título – Erica Awano – na boa? Eu sempre achei a mãe do Chico Bento uma bi-a-tch! Chiliquenta, histérica e até meio cruel. Erica Awano trouxe uma visão mais doce da personagem e sua relação com o filho. E surpreende por sua sensibilidade como roteirista, faceta desconhecida até então.

Cadê o Capitão Feio? – Orlandeli - uma visão bem humorada do supervilão da Turma. Ao revelar o destino do vilão, Orlandeli mostra o Capitão Feio em cada um de nós.

Minha visão preferida – Vitor Cafaggi - enquanto Mauricio de Sousa está completando 50 anos de carreira, Vitor Cafaggi está completando um – e é a grande revelação do álbum, numa história delicada e magistralmente ilustrada sobre o Chico Bento. A HQ já sinaliza o brilhante caminho que o criador de Puny Parker tem pela frente. Fiquem de olho nesse menino!

Quanto à minha história, “O que aconteceu com a menina mais forte do mundo?“, só posso dizer que foi escrita durante toda uma apaixonada noite – mas já estava pronta há tempos. Nela, eu trago uma visão particular sobre o futuro sombrio da Turma, com Franjinha se transformando no poderoso vilão Jinn Farah. Ele e seu arqui-inimigo, o Dono da Lua, como vilões que são, aguardavam apenas a oportunidade perfeita para fazer sua estréia. Eu jamais poderia imaginar que seria numa ocasião tão especial. Fica aqui também meu agradecimento ao Michel Borges, que me emprestou seu talento ao finalizar as páginas.

É isso! Procure nas bancas a edição cartonada (R$ 55,00) ou nas livrarias a de capa dura (R$ 98,00), a que for mais conveniente para o seu bolso. São quase 200 páginas, das quais todos os brasileiros, desenhistas ou não, têm muito do que se orgulhar.

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