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Calvin & Haroldo, gibis legais e afins

fevereiro 22nd, 2007 | Posted by Fábio Yabu in Sem categoria - (15 Comments)

Nos US and A e na Europa, você praticamente não vê gibis nas bancas, salvo coisas muito específicas como Witch e… Witch. Mas nas livrarias o papo é bem diferente, a Fnac por exemplo tem corredores enormes abarrotados de tudo quanto é tipo de mangá, quadrinhos europeus e americanos. Praticamente tudo lá é lançado em formato livro, de obras-primas como Sandman a coisas bizarras como “A saga do meio-irmão que na verdade era primo do sobrinho do Ciclope dos X-Men com a Lupina dos Novos Mutantes – Versão Ultimate 2099 Action Fuckin’ Edition Unlimited Crisis“. Nesses mesmos corredores também é possível encontrar action figures, camisetas, pôsteres, toda sorte de traquitana capaz de levar qualquer um à falência. Eu mesmo gastei suados euros em bonecos do Lanterna Verde que hoje integram minha coleção.

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Seção de quadrinhos numa livraria em Paris

Aqui no Brasil o fenômeno se repete. Principalmente porque, depois da Internet, toda a mídia impressa está tendo que se reinventar, da revista Veja a Maurício de Sousa. Honestamente, tenho cada vez menos motivos para comprar revistas, as únicas que ainda levo pra casa de vez em quando são a Trip, a Rolling Stone, e a Nintendo World, e olha que essa é mais por carinho mesmo. As revistas semanais e os jornais então nem se fala, as demissões voluntárias ou não estão ocorrendo aos montes nas redações, enquanto a web está rapidamente se tornando a fonte número 1 de informação.

Gibis então, coitados… vendem cada vez menos, cada vez mais caro. O último gibi que comprei em banca foi… foi… juro, não lembro. Tirando o da Mônica que comprei esse mês, deve fazer mais de três, quatro anos. Se na época em que eu fazia gibis a Abril foi tachada de louca ao lançar revistas que custavam 10 reais, hoje sua sucessora Panini já bateu os 80 (!!) em edições especiais. Meu, 80 reais num gibi. Eu não compraria nem se ele fosse de ouro forrado com diamantes, desenhado por Frank Miller com o próprio sangue de Cristo.

Eu sempre fui meio contra isso. Sempre achei que gibi tinha que ser barato, que pudesse caber no orçamento de um guri que ganha 10 reais por semana do pai. Por isso as revistas dos Combo Rangers eram baratinhas (R$ 2,50 a R$ 4,50) e como vocês sabem, feitas com muito carinho (caceta, já vai fazer 5 anos que parei!). Não chegaram a dar (muito) prejuízo, mas a falta de lucros inviabilizava sua continuidade. O resto vocês já sabem.

Hoje, o cerco continua apertando nas bancas. E os gibis a ter cada vez menos espaço, porque são caros, vendem pouco e têm uma logística que não ajuda em nada: metade do preço de capa vai pro jornaleiro e pra distribuidora, o resto volta pra editora que precisa cobrir todos os custos astronômicos de edição, impressão, licenciamento, etc. E o gibi tem que vender em um mês antes de ser recolhido para dar lugar à nova edição, se é que ela virá.

Aí você se pergunta: “Mas porque diabos tem gente lançando gibi nesta vida maledeta?”. Eu não sei, viu. Não faço a menor idéia, me parece realmente coisa de maluco. Tanto que editoras como a Conrad, Pixel e Devir lançam a maior parte de seus produtos direto para as livrarias, um ambiente muito mais saudável e inteligente do que as bancas. Um livro pode ficar anos exposto numa livraria ao invés de apenas um mês das bancas, ou seja: as chances de vender são muito maiores, ainda que o retorno se dê num médio/longo prazo. E ainda tem a vantagem de que, se um álbum de quadrinhos vende bem, a livraria compra mais. Já republicação de gibis em banca é algo mais raro que enterro de anão.

A elitização do mercado tem sido inevitável, já que os álbuns legais custam entre 20 e 60 reais em média. Não existe mais o sonho de gibis para todos. Gibi não é mais coisa de criança, é coisa de rico, lembrando que rico no Brasil é quem tem televisão, computador e internet ou uma assinatura de jornal em casa.

Em compensação, a elitização tem tornado viáveis coisas que antes eram impossíveis de se imaginar, como a edição encadernada de 300, a coleção Sandman e o maravilhoso, mega boga, chuta bundas… Calvin & Haroldo, que terá todas as tiras publicadas pela Conrad.

Gente, Calvin & Haroldo é sem sombra de dúvidas uma das tirinhas mais geniais de todos os tempos. Os diálogos são simples, apaixonantes e carregados de filosofia, aliás, de vez em quando se vê tirinhas da dupla em livros e apostilas da disciplina. Deveria ser leitura paradidática, se é que já não é. A primeira edição, “O mundo é mágico“, tem 165 páginas de puro encantamento, por justos R$ 44,00. A edição é muito bem feita, como já era de se esperar da Conrad, mas faltou uns “extras”. Tudo bem que a dupla dispensa apresentações, mas seria legal uma introduçãozinha barra prefácio do autor ou alguém conhecido. Outra coisa que eu me incomodou um pouco foi o tamanho (largura) do álbum. É meio incômodo para ler deitado ou mesmo sentado num sofá, já que ele ocupa seu colo todo e eu particularmente morro de medo de criar orelhas ou amassar a capa. Eu faria um álbum um pouco menor e com capa dura para evitar esses probleminhas. Tirando isso, é puro deleite.

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Está no ar a minha resenha do novo filme da Turma da Mônica: Uma aventura no tempo. Aonde? Como, aonde? No Omelete, né? Dã-ã!

Estou arrumando as malas, amanhã fujo pra belíssima cidade de Birigui, bem longe dessa palhaçada e esse monte de gente pelada que chamam de carnaval. Mas esse blog, espertinho do jeito que é, vai se atualizar automaticamente nos dias do BBB. Então nada de ir pra passarela, nada de confete, nada de desfilar com as partes de fora por aí. Todo mundo fica em casa vendo o BBB que vocês ganham mais.
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Fui assistir para o Omelete o novo filme da Turma da Mônica, Uma Aventura no Tempo e… fiquei muito surpreso. É possivelmente o melhor filme da turminha, não apenas no animação mas também no roteiro, que sempre foi o calcanhar de aquiles das incursões audiovisuais da dentuça. O filme é engraçado, tem boas piadas, ousa um pouco mais na concepção dos personagens, é muito bacana mesmo.

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Flashback: Seis meses atrás

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Hello Kitty: Entenderam, né? Quando eles pararem vocês fingem que vão fazer malabarismos e… crau!

Filhotes: CERTO!

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Quadrinho é coisa de criança

agosto 8th, 2003 | Posted by Fábio Yabu in Sem categoria - (Comentários desativados)

Houve um tempo em que não ligávamos para essa colocação. Era a época em que líamos a Turma da Mônica. Aquela idade dourada em que paramos de apenas olhar para aquele monte de desenhos coloridos e letras sem sentido e começamos a juntá-las e formar palavras. Descobrimos que não precisávamos mais inventar os diálogos em nossas mentes pueris: havíamos aprendido a ler.

Nossos pais certamente estavam felizes, e, quando o plano econômico vigente permitia, vinham para casa com uma “revistinha” de algumas centenas de cruzados, cruzeiros, cruzeiros reais, etc.

Líamos incansavelmente. Dos “inovadoles” planos do Cebolinha, a histórias magníficas como “Romeu e Julieta”. Começávamos no primeiro balão e só parávamos na derradeira tirinha na última página da revista.

Era uma época mais simples. Em que nossa TV pegava poucos canais, que chamávamos por números. Em que desenhos animados, só no programa da Xuxa, e em que o Sérgio Mallandro era o ídolo de milhares de capetinhas, como meu irmão.

Porém, como bem sabem, as crianças crescem rápido.

Chegou o dia em que a Mônica não servia mais. O recém-descoberto prazer da leitura mostrava-se insaciável e clamava por material mais apropriado para nós – homens e mulheres feitos, no auge dos nossos… 9 ou 10 anos de idade.

Vieram então os super-heróis. Gibis e mais gibis, milhares de cruzeiros gastos em revistas do He-Man, Bravestar, Changeman, Jaspion, Marvel e DC. A grande maioria era de qualidade duvidosa e feita aqui no Brasil. Talvez, venha desta época o preconceito que as novas publicações nacionais sofrem hoje em dia. Mas este papo fica para outro dia.

Continuando, dentre aquelas toneladas de papel jornal, havia algo que nos fascinava, não é? Aquelas histórias mais sombrias, demarcadas com litros de nanquim, cores fortes e enredos complexos. Elas fizeram milhares de jovens se aventurar naquele novo universo que estava ali, esperando para ser decifrado com o mesmo afinco que nosso primeiro gibi da Mônica.

E qual não foi a nossa surpresa, senhoras e senhores, quando vimos que aquele gibi do Capitão América ou do Super-Homem, nos trazia um desafio ainda maior que o da alfabetização?

Tínhamos ali o desafio da compreensão!

Era uma época de crises… No Brasil e nas Infinitas Terras.

Perseveramos. Continuamos a ler e a tentar compreender. De certa forma, conseguimos. Seja lá o que aqueles gringos estavam tentando nos ensinar, nós conseguimos.

E foi aí que erramos.

Nos anos que se passaram, continuamos nossa aventura entre sagas e mais sagas. Mortes e ressureições nos aguardavam pela década a seguir, juntamente com hormônios e Psylockes em biquínis minúsculos. Tivemos sim, histórias memoráveis como aquelas dos X-Men de Chris Claremont, LJA de Keith Giffen, Hulk de Peter David, entre outros clássicos.

Assim como histórias ruins, como a nefasta Saga dos Clones do Homem-Aranha, a Morte do Super-Homem, Batman aleijado, etc.

Continuamos lendo. E continuamos errando.

Seguimos em frente (provavelmente por falta de opção), encarando um produto que por definição já estava fadado ao fracasso. Um produto que ao invés de se adaptar às épocas, se adaptou aos indivíduos consumidores. Por isso hoje temos revistas voltada às mesmas pessoas que as cresceram lendo e não permitiram que elas fossem renovadas para a chegada de novos consumidores, novas crianças tão sedentas por novidades como nós fomos um dia.

Enquanto o mundo mudou, e hoje nossas TVs pegam mais de 100 canais, os quadrinhos vêm, ano a ano, se afundando num caminho sem volta. Cada vez mais as HQs são feitas para um público menor: nós, antigos leitores, que mantemos este velho hábito desde a época da Mônica.

Ainda hoje, a dentuça continua líder em seu mercado, mas não deixou de ser atingida pelos novos tempos. Suas vendas – bem como de todo o mercado editorial, seja de revistas masculinas, ou de DVDs que vêm com uma cartela de papelão grátis – vêm experimentando um amargo declínio nos últimos anos.

Some a essa enorme crise histórias ininteligíveis, que só servem para afastar leitores (tanto velhos quanto novos) e pronto… eis um retrato da atual condição do mercado. Quando eu digo ininteligíveis, não me refiro a mim ou você. Nós sabemos o que é Quartzo-Rubi e pulso eletromagnético. Eu digo para aqueles seres humanos que nasceram em 1993 (sim, assusta saber, mas isso existe).

A discrepância das atuais histórias é enorme e muito fácil de ser exemplificada. Tente imaginar como seriam os desenhos do Scooby-Doo se eles fossem produzidos até hoje, mas focados nas mesma pessoas que tinham de 6 a 10 anos quando os primeiros episódios foram criados (hoje pais de família, ou jovens adultos). Teríamos um Fred “bad boy”, sarado e de óculos escuros, uma Daphne de colant preto e o Scooby seria um rotweiller babão?

Estranho, não? Será que um produto que sempre fez sucesso entre crianças, como o Homem-Aranha, precisa de uma histórias que lhes seja totalmente incompreensível? Será que a capa dessa revista precisa de um selo Marvel: PG (denominação para conteúdo inapropriado para crianças)?

Com os atuais preços dos quadrinhos, que diminuem o nosso poder de compra, e ainda a concorrência da TV a cabo, videogames e Internet, como vencer essa difícil batalha? Como conseguir novos leitores, e mostrar às crianças que ler quadrinhos é um prazer único? Como voltar a afirmar que “Quadrinho é coisa de criança”, e não de um bando de nerds privilegiados?

O leitor um pouco mais apressado pode achar que não gosto dos quadrinhos atuais. Meia-verdade. Há sim, coisas boas saindo. Porém, você há de convir que hoje, um sujeito quase precisa de um currículo atestando que ele pode ser um leitor de HQ de heróis.

É triste, mas quadrinho deixou de ser coisa de criança e virou coisa de nerd. Por favor, guardem suas pedras. A afirmação não é minha, mas certamente já foi ouvida por muitos.

Enquanto isso, as crianças se perdem. Preferem ler volumes quilométricos de Harry Potter a gibis de 52 páginas com Super-Homem e cia. Será que isso está certo? Até quando o mercado continuará perdendo leitores para as outras mídias, mantendo as mesmas panelinhas enquanto afunda ano a ano? E quando todos os leitores de quadrinhos arranjarem algo melhor pra fazer ou morrerem?

O mercado acaba?

Talvez seja hora dos quadrinhos, novamente e talvez pela primeira vez, serem “coisa de criança”.

“Podemos fazer qualquer coisa. Os fãs vão comprar mesmo.”
(Grant Morrison)

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